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Autor: |Ronan Dannenberg| Jornalista, músico, crítico, pensador e gremista. Planejo, estudo e enrolo. Roupa preta, sorvete, Rock'n'Roll, dinheiro, espelhos, futebol, mulheres, amigos(as), conversa com fundamento, conversa sem fundamento, sexo, Heavy Metal, compras, internet e frio. Nunca estou satisfeito com nada e procuro sempre o melhor. |
Não queiramos ser hipócritas o suficiente para dizer que Lara foi o "craque imortal".
Digo isso pois o que se viu ontem na medíocre partida entre Grêmio x São José-POA foi a prova de que uma figura futebolística se faz pela torcida. E assim se fez Danrlei.
O ex-arqueiro gremista, hoje defendendo as metas do Zequinha, fez sua primeira partida no Olímpico contra o Grêmio. Para tanto, evitou se aquecer no gramado. E foi chorar depois ao ser aplaudido de pé pela torcida tricolor. Arrepia.
Ele foi a estrela do jogo não só por ser Danrlei. Mostrou suas velhas técnicas de defesas à queima-roupa, eficientes, e suas falhas em bolas alçadas. Era Danrlei.
O goleiro ama o Grêmio tanto quanto a torcida ama ele. "O que eu mais amo está aqui", disse ele ao entrar em campo.
Pode não ter sido mais goleiro que Lara. Mas duvido que a imagem de Danrlei fique por baixo do antigo goleiro gremista.
Pela primeira vez tive a oportunidade ao lado de colegas de profissão de desfrutar um tiroteio com bolinhas gosmentas. O tal de paintball. É uma brincadeira interessante, deveras divertida, que lembra muito um dos games mais famosos da atualidade: o Counter Strike.
Contudo, ao vivo, na pele, a sensação é muito melhor. O coração bate mais forte, o pulmão exige mais ar, os obstáculos e os perigosos inimigos clamam por uma responsabilidade que necessita ser impetuosa.
Aí, creio, está o grande segredo do jogo. Ao final, estava suando feito um porco, morrendo de sede, com meu joelho direito doendo e com três marcas doloridas provocadas por balaços de tinta. A no braço direito foi a mais feia delas. Graças ao Castor. Tudo isso resulta no ímpeto CS, de disparar, acertar o adversário, ver ele derrotado.
Decidimos fazer mais vezes, com mais jogadores. Diversão garantida. E dolorida.
Um doce.
A suavidade, a ingenuidade, a leveza, a alegria, o sorriso e o poderio atrativo não são suficientes para manter uma amizade. Principalmente quando todas essas qualidades vão por água abaixo diante do realismo exarcebado (porém útil nesses casos) que faz questão de entrar em ação.
Ter certas qualidades consideradas positivas não mais são um mix de porcaria alguma quando o ser que as detêm faz questão de não as trabalhar como se deve. É como ter talento e não saber usar. Querer contrariar o dom.
Amizades desse tipo não são bem vindas. É algo como trocar o rótulo de um produto.
Autenticidade deveria ser uma obrigação. E consideração também.
Um amargo.
Longe das palavras não poderia ficar. De calejar a ponta dos dedos em teclados que, hoje, são macios para o simples objetivo de objetivar. A preguiça era dominante, principalmente em épocas onde estudos em prol de uma mera graduação e o trabalho árduo em troca de pilas faziam com que a vontade fosse uma ação que passasse a milhas desse amontoado de carne e osso - e, agora também, muita gordura.
É um recomeço. Quem sabe essa versão 4.0 eu posso chamar de definitiva.