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Autor: |Ronan Dannenberg| Jornalista, músico, crítico, pensador e gremista. Planejo, estudo e enrolo. Roupa preta, sorvete, Rock'n'Roll, dinheiro, espelhos, futebol, mulheres, amigos(as), conversa com fundamento, conversa sem fundamento, sexo, Heavy Metal, compras, internet e frio. Nunca estou satisfeito com nada e procuro sempre o melhor. |
Durante a transmissão do jogo do Internacional x Gaúcho, hoje, na Rádio Guaíba, meu colega e repórter Felipe Bueno informou que havia somente uma torcedora num canto do estádio torcendo para o Gaúcho. O narrador Orestes de Andrade pediu para que ele desse uma avaliação sobre a mulher.
- Uma nota, quem sabe? - sugeriu o Bueno.
- Pode ser! - autoriza Luiz Carlos Reche, repórter e na chefia de esportes.
- Bah... - pensa Bueno. - Três...
- Poxa! Só três??? - responde Orestes.
- Eu dou oito! - retruca Reche.
- Oito?!? Bah, tu tá louco, Reche. Oito não dá.
- O nível do Bueno está... bem exigente, não? - contesta Orestes.
Um ou dois lances são narrados. E eis que Bueno retorna.
- Ah. Mas o entusiasmo dela é nota dez.
Abração, Bueno!
E tão somente isso. Frio só em lembranças. Me dá saudades daquele frio que senti em 2004, quando Ulisses e eu fomos buscar o Dr. Sin no Aeroporto Salgado Filho. Se não estava 0ºC, estava perto de. Agora, estamos na fase em que não desfrutamos nem das chamadas meia-estações. Nem no Rio Grande tem isso. Outono e Primavera foram extintos por essas bandas.
Sr. Hermos e eu estávamos conversando sobre isso. Estamos no dia 30 de março. O verão, pelo menos no calendário, já acabou. Mas os termômetros ainda marcam 35ºC para mais (aliás, bela foto na contra-capa da Zero Hora, Cynthia - 125ºC, era a sucursal do inferno). Inverno mesmo, agora, daqueles de reguear cusco, somente em alguns dias entre julho e agosto.
O sobretudo vai ficar encalhado dentro do armário para, quem sabe, ser usado em três ou quatro oportunidades. Camisetas de mangas curtas aos montes. Até pq nem se vende mais as de mangas compridas. Não há utilidade.
A foto com o Dr. Sin está aqui ao meu lado direito. Todos devidamente encasacados em frente ao CTG 35, em Porto Alegre. Era dia de sol. E de frio. Saudades.
É inadmissível como uma torcida tão bonita, tão alegre, que anima o time, que contagia um estádio, uma legião de gremistas, pode fazer o que faz. A Geral é algo absolutamente incompreensível. Ao mesmo que realiza coisas belíssimas, é executora de verdadeiros absurdos.
O exemplo está no último confronto do Grêmio, diante do Tolima. Aos 24 minutos do segundo tempo, torcedores da Geral começaram a soltar sinalizadores para dentro do gramado. Justamente do lado onde estava o goleiro Saja, que teve de deixar o gol com receio de ser atingido. Pudera, muitos dos sinalizadores caíram próximos ao arqueiro. Além disso, os artefatos produziram uma fumaceira no estádio que não só prejudicava a partida, como prejudicava a visão de Saja e, por conseqüência, o Grêmio.
O árbitro teve de parar o jogo, solicitar ajuda dos responsáveis. Os jogadores foram perdir para a torcida parar. Até o vice de futebol, Paulo Pelaipe, correu desesperado para pedir que a Geral cessasse com a absurda ação. Nada adiantou. O restante da torcida do Grêmio, principalmente nas sociais e nas cadeiras, estava vaiando a Geral. Chega a ser ridículo.
Acabram-se os sinalizadores e o jogo recomeçou. Enquanto isso, o tenente-coronel responsável pelo policiamento no Olímpico concedia entrevista à Ràdio Gaúcha salientando que na revista feita pela Brigada Militar, de maneira alguma sinalizadores passariam e que alguém estava sendo conivente para a liberação desse tipo de material.
De uma vez por todas algo deve ser feito. Seria deveras ridículo, pífio, uma torcida que se mostra tão amante do seu time executar fatos que podem levar o Grêmio a verdadeiros prejuízos. Sinceramente, quero que a alegria da Geral permaneça. A avalanche, os cantos, as bandeiras. Mas, se a baderna continuar, prefiro que tudo - mesmo - acabe de vez.